Ariel - Filha do amor

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Ariel - Filha do amor

Mensagem por Ariel Price em Sex 01 Abr 2016, 3:46 am



 Love Sorrow 

Há pessoas que amam o poder, e outras que tem o poder de amar.
Sou Ariel Price, filha de um famoso Pianista, Ethan Price um homem belo e inteligente, que encantava a todos com sua bela melodia, diziam que em seu auge sua bela musica era capaz de tocar o coração de todos, aflorarem os sentimentos adormecidos, seu amor pelo piano superava qualquer um. Aos vinte e seis anos se apaixonou por uma mulher, dona de uma beleza incomparável, seu carisma amolecia até o mais cruel dos corações. Meu pai nunca descreveu os traços da minha mãe ou me mostrou alguma foto, seu amor por ela era algo que ultrapassava o físico, era quase celestial. 



Ethan Price, um pianista de renome que se afastou dos holofotes quando sua amada esposa morreu, as más línguas falavam que era, pois com ela sua paixão também morreu, não conseguia tocar com aquele sentimento e assim, não tocava mais o coração dos outros. Mas os mais chegados sabiam que era, pois sua princesinha, ou melhor dizendo, sua pequena sereia precisava de atenção.


Lembro-me de pouca coisa de quando eu era pequena, mas uma coisa eu sei, sempre vivi neste apartamento! É pequeno, a rua é barulhenta e o prédio nem se fala! Moramos no quinto e ultimo andar, da janela da sala da para ver o parque mais ao norte da cidade. Meu quarto fica nos “fundos”, chamo assim, pois da de frente para uma parede que um dia foi branca, o papel de parede verde-água com listas brancas, na época que meu pai escolheu eu ainda era um bebê de colo, mas ainda sim gosto daquelas listas na parede, meu armário de duas portas e a cama do outro lado, perto da janela. Na sala a TV e o sofá disputavam lugar com o belo piano de calda preto e teclas de marfim do meu pai, um instrumento magnífico e seu preço certamente daria para comprar um apartamento maior que este! Ele fica posicionado perto da sacada, lembro-me das cortinas brancas voando nas tarde de verão enquanto meu pai tocava. Eu devia ter meus três anos, escondida embaixo do piano encima de um cobertor, escutando a melodia “Love's Sorrow - Liebesleid”, a mesma musica tocada todo santo dia perto das seis horas da tarde.

  

Tocava para minha mãe, como disse, o amor deles era mais do que algo carnal. Via as folhas do outono invadirem o apartamento com aquela brisa morna que se despedia do verão, lembro a vibração do piano no chão e o sentimento inocente, de pura felicidade que sentia ao escutar meu pai fazendo o que mais amava, para a mulher que mais amou. Lembro-me de fingir imitá-lo ao levantar as mãos e tocar um “piano” imaginário, olhando pela janela da sacada o céu alaranjado “Quero um dia aprender essa magia, que o papai toca” pensava isto, sentindo quando as notas eram mais suaves, antes de se tornarem mais graves demonstrando um sentimento mais profundo.


Aos quatro anos, me sentei na cadeira do papai, enquanto ele estava na cozinha preparando um café e apertei, uma das grandes teclas brancas e brilhantes, o som foi grave e intenso. Senti o ecoar da corda vibrar por todo meu corpo, aquela sensação me deixou estática mirando as palavras douradas “
Fritz Dobbert”, não demorou muito para as letras voarem com o vento e se embaralharem. 


― Papai? ― Ele estava encostado no marco da porta que dividia a cozinha da sala, com sua velha caneca presta de café, aquele cheiro maravilhoso que indicava que era hora dele começar a tocar. 

― Quer aprender Ari? ― Eu sorri instantaneamente e minhas bochechas avermelharam.

― Sim! ― Naquela hora notei que não era eu quem ele via, mas minha mãe. Seu olhar carinhoso não refletia o amor de paterno, mas aquela saudade que possuía de sua amada mulher.

― Cada dia se parece mais com sua mãe, minha princesa ― Disse ele ao se aproximar, afagando meus longos cachos negros e arrumando minha tiara branca na minha cabeça, se sentando ao meu lado. 

― O que quer tocar? ― Perguntou ele, tocando as teclas esperando o pedido.

― Love’s Sorrow! ― Aquele pedido arrancou uma risada tão gostosa quanto o som do piano nas tarde de outono, não entendi, mas gostava.

― Porque não começar com algo mais fácil? “Brilha Brilha estrelinha” o que me diz? ― Disse ele, tocando em seguida uma melodia linda que eu conhecia a letra por isso me animei a cantar junto com o piano. Levei pouco mais de um mês para dominar aquela musica, tocava em todos os lugares que possuía um piano! Restaurantes, cafeterias e até na creche! Sim, eu ia pra creche para meu pai dar aula de piano pela manhã e a tarde recebia aulas particulares do melhor pianista da cidade!


Sempre fui tratada como uma princesinha, tanto na creche como pelos amigos do meu pai, na venda da esquina, os vizinhos... Todos me adoravam e eu era feliz por isto! Jurava que poderia viver daquele jeito para sempre, mas o para sempre é muito tempo.



Quanto eu tinha seis anos, meu pai me apresentou uma mulher, ela era loira e alta, muito bonita por sinal, seus lábios eram vermelhos como maças recém colidas, não precisei que me falassem, os dois se amavam! Não era como o amor que meu pai tinha pela minha adorava mãe, mas ainda sim era um tipo de amor. Mas dividir a atenção do meu pai com uma mulher não era muito fácil, nesta época comecei a ser egoísta e fazer birras, brigava e gritava com mais freqüência, não era como se eu odiasse a mulher, mas me sentia invadida, aquele era o meu domínio e ela o invadiu sem pedir licença e ainda se sentou na janela! Com essas atitudes decidiram me mandar para a escola, já estava na idade, foi o que falaram. [/size]


Perdia-me com facilidade nas aulas, as letras voavam e eu não entendia porque as outras crianças não viam, mesmo sorrindo e dizendo que entendiam, ninguém acreditava! No fim aprendi a mentir, enganar todos dizendo que eu entendia, que as letras não voavam mais, que eu era normal! Pelo menos assim meu pai não ficava triste.


As musicas às seis horas da tarde não eram mais tocadas, meu pai arrumou um trabalho em uma empresa e desistiu do piano, lembro que pensava em vender o piano e comprar um apartamento maior, sabe? A família podia crescer! Mas eu, com meus oito anos não entendia muito bem como, estava sendo mimada de mais por todos sendo vendada para uma realidade que um dia eu seria forçada a enxergar.


Em uma tarde de inverno, era domingo e eu brincava embaixo do piano negro com uma boneca quando o telefone tocou, minha madrasta atendeu e chamou meu pai. Vi seu semblante entristecer, se preocupar como nunca se preocupou não existia esperança naquele olhar ―[/size] Ariel? Venha cá ― Disse meu pai, se sentando no piano e me fazendo sentar ao seu lado, abriu as teclas e tirou a proteção de veludo vermelho das teclas ― Lembra quando você era pequena, que disse um dia que você tinha uma família grande? ― Disse ele olhando para o marfim e como uma tola garota toquei uma tecla ― Sim papai ― Segui tocando a canção infantil ― Então, esta semana você não vai para a escola, vamos viajar para você conhecer seus avôs ― Disse ele, forçando um sorriso, mas eu sabia, sempre soube que seu coração chorava, eu era filha do amor e entendia que algo dentro dele estava morrendo.  



Última edição por Ariel Price em Seg 08 Ago 2016, 4:37 am, editado 7 vez(es)
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Re: Ariel - Filha do amor

Mensagem por Ariel Price em Sex 01 Abr 2016, 3:50 am



 Sleeping Beauty 

No momento que eu conheci eles, minha vida mudou. Tudo que via, tudo que ouvia... Tudo que sentia... Tudo ao meu redor começou a se colorir


A viajem durou quase três horas, apenas eu e meu pai, como nos velhos tempos, mas aquela época era impossível de voltar, o silencio tomou conta da maior parte do percurso. Chegamos na casa dos meus avôs na metade da tarde. Era de madeira de dois andares, na cor azul e detalhes em branco, uma varanda com uma escadinha de três degraus. Uma cerca branca na frente bem como nos contos de fadas, um jardim bem cuidado e a porta da frente possuía uma janela de vidro! Era linda e encantadora.


Eu estava com um vestido verde escuro com detalhes em branco, sapato preto e meia-calça de lã branca, usava uma tiara branca para destacar minha franja, parecia uma bonequinha francesa! Meu pai fez questão de me dizer isto umas dez vezes durante a viajem. 



Quando tocamos na porta uma senhora abriu, olhos verdes e cabelos grisalhos, vestia um vestido preto e um chalé por cima na cor grafite, seu olhos brilharam quando viu meu pai, era um amor tão grande que seu semblante chegou a brilhar tal qual do meu pai também, os dois se abraçaram em silencio, um longo e apertado abraço.  


 ― Está é a sua neta Ariel! Filha está é a sua avó ― Disse ele orgulhoso, não sabia se era de mim ou da minha avó, ela sorriu e me abraçou, naquele momento vi como um sentimento nascia. Subimos para o segundo andar da casa, no quarto principal.


O quarto estava bem arejado e havia um senhor deitado na cama, com uma maquina o ajudando a respirar. Lá vi um homem, mais novo que meu pai, mas eram idênticos! Ele me olhou e virou a cara, mas sabia que estava feliz em ver meu pai que se ajoelhou ao lado da cama, o senhor não se mexeu, senti uma forte dor no coração, não entendia o porque, mas sabia que ali eu não podia reclamar. Meu pai sussurrava para o senhor, não consegui escutar pois estava na porta e mesmo que o velho senhor não se mexesse, ele se alegrava, podia ver uma aura ao redor dele que anteriormente estava cinza, tomar uma cor linda ― Me perdoe meu pai! ― Disse meu pai para o senhor, então aquele era meu avô. Aproximei-me, vendo meu pai pela primeira vez chorar e então olhei para o senhor deitado ― Oi vovô ― Disse sorrindo, ele podia nos escutar, eu sabia disso, sentia com todo o meu corpo.

― Seu avô não pode nos escutar ― Disse o outro homem, sendo ríspido comigo, olhei para ele com carinho e afeição, mesmo ele sendo ríspido não podia me esconder seus sentimentos, eu era pequena, uma criança ainda, mas nasci com aquele dom e era a única coisa que eu realmente entendia ― Está enganado... Olhe! Ele está sorrindo, feliz! Sentiu falta do papai e está feliz por ter toda família reunida! ― Disse convicta, mas ainda sim era uma criança, ele riu, o que uma criança sabia a respeito de medicina? 


Senti o braço do meu pai envolver minha cintura e me puxar para perto, minhas costas encostaram no peito dele e senti seu rosto tocar minha nuca, molhando meus longos cabelos ― Que bom,  Ari ― Sussurrou ele, aliviado. A posição me fazia olhar diretamente para o senhor, não parecia sentir dores, seu semblante era calmo como de um anjo, descansava em seu leito, ele iria encontrar minha adorada mãe nos céus, foi o que meu pai me disse.


Desci novamente para o primeiro andar, acompanhando minha avó ― Deve estar com fome... É Ariel, não é? ― balancei a cabeça em sinal de sim, acompanhando os movimentos daquela senhora, pegando uma xícara de porcelana, o leite na antiga geladeira e um pote com formato estranho ― Sabe da onde veio este nome? ― E novamente eu balancei a cabeça, mas dessa vez em sinal de não ― Ariel era uma sereia, filha do rei Tritão... Ela era insatisfeita com a vida no mar ― Eu já conhecia a historia, mas era bom quando alguém nos contava uma historia com tanto amor ― Mas não seria este o motivo do seu nome, não por causa de um conto infantil ― Disse ela, me despertando a curiosidade, está parte eu não conhecia ― Como as sereias, ela podia encantar os homens, com sua voz... Era a mais bela.. Seu amor pelos humanos era inigualável... Seu carisma mantinha todos por perto... E seu sorriso ― Disse ela me olhando e sorrindo ― transmitia felicidade até os corações de pedra. Quando seu pai conheceu sua mãe... ― Disse ela olhando para a porta, meu tio estava parado olhando-me, fixo ― Ele disse que estava encantado como o príncipe Eric por Ariel... Por isso o fruto do amor dos dois se chama Ariel... ― Está parte eu não conhecia!


Eu comi bolachas de leite e tomei um chá com leite quente, feitos pela senhora e em minha frente, meu tio se sentou, comendo as mesmas bolachas e tomando café. Meu pai e ele possuem o mesmo gosto por cafés. Senti-me intimidada por ele, como se ele não gostasse de mim, tanto que quase me engasguei quando devorei a bolacha e queimei minha língua para tomar o leite as pressas. Minha avó disse para eu ir assistir TV na sala, enquanto meu pai continuaria ao lado do meu avô.

A sala era quase do mesmo tamanho do meu apartamento, ok posso exagerar um pouco, mas de um lado ficava uma mesa grande de seis lugares e do outro uma TV antiga com um conjunto de sofás claros e um tapete cor de areia no meio. Varias folhagens estavam espalhadas pelo local, dando um ar bem aconchegante e ao fundo, perto da mesa, uma peça esquecida pelo tempo, algo que eu adorava: Um piano.

Este não era de calda como do meu pai, muito menos de marca famosa ou lustrado, este era cor de madeira normal. Cheguei perto o abrindo enquanto sentia o olhar daquele homem me seguindo, como se eu fosse estragar. Toquei uma tecla e ele prontamente se sentou ao meu lado, me assustando.

― Ariel... Sabe tocar? ― Perguntou ele, desta vez não foi ríspido. Balancei a cabeça em sinal de sim ― Sabe tocar em dueto? ― Novamente balancei a cabeça em sinal de não e o vi pegar um livro de musica, folhou algumas paginas e colocou no descanso de partituras ― Sabe ler, né? Acompanhe está parte que eu sei a minha de cor ― Ele iria tocar comigo? Olhei as notas tentando tateando no piano, sem emitir sons, apenas tentando entender, aquela partitura era impossível! Só possuindo quatro mãos, olhei para ele sem entender e ele sorriu ― Esta é uma partitura especial, para tocar em duplas... Na verdade é uma valsa, eu e seu pai tocávamos quando éramos crianças e nossos pais dançavam nesta sala ― Disse ele acariciando meus cabelos, acho... Que ele se arrependeu de me tratar daquela forma. 


Ficamos mais de uma semana naquela casa, acho que beirava a seus quinze dias e toda tarde treinava com meu tio. Ele não era tão gentil como meu pai, exigia mais e mais de mim! Teve dias que disse que eu só iria jantar quando decorasse tal parte! Ele era mau, muito mau... Mas com ele aprendi um pouco de regras, coisa que nunca tive na minha vida, a me empenhar ao que fazia ― “O destino está gravado na palma de sua mão! Glória aos bravos. Morte aos fracos!” ― Era o que ele dizia, mas como uma garota de oito anos iria aprender o real significado? Aquele homem não tinha noção! Minhas mãos chegavam a doer e meu pai? Onde estava? Com meu avô e outras com minha avó, praticamente me esqueceu! E aquele homem tinha total liberdade para me massacrar com suas aulas detestáveis!


Em uma noite, no vigésimo primeiro dia, era aniversario da minha avó e meu tio disse que teria uma surpresa para ela. Aquele foi o inicio do resto da minha vida.


Meu avô já estava passando mais tempo no hospital que em casa, por isto fomos jantar fora, em um restaurante chique. Meu pai e tio de terno preto e gravata, minha avó vestida de preto, seu vestido era lindo, todo revestido e vual preto com pedrinhas negras por toda sua extensão e eu com um vestido cor de vinho com preto, com um chapéu da mesma cor e fitas negras, bem chique, todos no restaurante diziam que eu era uma linda princesa! 


Após o jantar, meu tio me convidou para tocar o piano disposto no restaurante, lindo e grande cor de champagne. Teclas de marfim como o da minha casa, fizemos aquele dueto “Sleeping Beauty for 4 Hand – Rachmaninov’s Arr.” Foi difícil e meu tio ainda me forçava, ele tocava a base e eu suei para tocar aquela melodia, aquela maldita valsa, mas quando olhei para o salão vi minha avó e meu pai dançando, pareciam tão bem, alegres e uma nostalgia no ar. Outros casais os acompanhavam naquele ritmo que eu tocava, outros apenas olhavam para nós dois, olhares apaixonados e outros encantados. Errei algumas teclas e levei um cutucão do meu tio, para voltar ao ritmo, foi difícil! Pois estava encantada com os olhares, com aquela magia que flutuava no ar. 


Por fim, mesmo com vários erros, não foi à maior perfeição, mas os aplausos! Senti como se meu coração fosse estourar com tanta alegria e orgulho, procurei os olhos do meu pai, queria ver o orgulho dele depois de me ver tocar, mas...


Olhei para a direita, esquerda... Cima, baixo... Nada... Simplesmente nada! O pânico começou a me corroer. Onde ele estava? Olhei para meu tio e segurei a mão dele ― Onde eles foram? ― Perguntei baixinho e ele fez um meio sorriso forçado. Descemos do palco e fomos abordados por um garçom, que nos avisou que os dois estavam nos aguardando no hall de entrada. Foi lá que recebemos a noticia que meu avô estava passando mal no hospital, não passaria daquela noite ― Leve-a para casa, nos encontramos no hospital ― Disse minha avó, me dando um beijo na testa... O ultimo. Meu tio se aproximou e me abraçou, disse que nos veríamos logo, se eu soubesse... Teria abraçado-o com mais força, implorado para não irem.


Meu pai e eu seguimos para a casa dos meus avos, a babá demorou quase uma hora para chegar, o caminho estava bloqueado por causa de um terrível acidente de carro na avenida principal. Dando os ombros, meu pai seguiu de carro para o hospital, prometeu voltar logo. Naquela noite, o piano morreu para mim.

Acordei cedo naquela cinzenta manhã de inverno, o sol brilhava, mas algo me dizia que... Nada estava bem. Meu pai ainda não havia voltado do hospital, minha babá disse que era normal, afinal, meu avô estava com câncer. Lembro-me que a TV estava alta, era por volta das nove da manhã e eu tomava batida de morango com bolacha de leite, daquele pote estranho que minha avó guardava. Assisti Tom e Jerry, mas nem isso me alegrava, no fundo sabia que não estava nada bem, mas nunca imaginei que aquela grande família, iria se reduzir a apenas... Eu e meu pai.

No acidente por volta das 22h de ontem, um carro de passeio vermelho colidiu com um caminhão na avenida principal da cidade, a passageira de 58 anos e o motorista de trinta e um anos, Anita e seu filho Derek Price morreram no impacto” lembro de sentir o vidro do copo escorregar por entre meus dedos, o barulho do vidro se chocando com o chão, os estilhaços de vidro se espalharem no chão de porcelanato branco daquela cozinha, que se manchava de cor de rosa da minha bebida. Meu tio, minha avó...


Escutei os gritos da babá perguntando se eu estava bem, se eu havia me machucado, mas não era dor física que eu sentia, era algo pior, mil vezes pior... Sentia um buraco se formando no meu peito, um frio me atingir e eu não conseguir respirar, tive um pequeno ataque de pânico segundo o medico quando chegamos no hospital. Eu havia desmaiado antes de entrar no taxi, lembro dos gritos da garota que não devia passar dos dezesseis anos, suas lagrimas escorrendo e molhando minha face, chamando meu nome por dezenas de vezes, e eu... Não conseguia responder, não conseguia respirar, não pensava em nada, apenas naquela dor insuportável, como se meu peito estivesse rasgando, como se meu coração estivesse despedaçado. 


Acordei em uma cama do hospital, mesmo hospital que eu visitava meu avô. Meu pai estava do meu lado, a camisa que na noite anterior era branca estava suja e suada, as olheiras nele, seus olhos inchados por chorar por toda a noite, cansado... Exausto! Segurava minha mão, ainda chorando ― Por favor... Minha filha não! ― Murmurava ele por diversas vezes, a babá soluçava ao lado agarrada a minha madrasta, mas o que ela fazia aqui? ― P-papai? ― Sussurrei, vi seus olhos sem brilho, apavorado, perdido me olharem, me abraçou forte o que chegou a doer, mas não me importei ― C-cade a vovó? O Tio? Vovô melhorou? ― Perguntei, mas já sabia a resposta, o coração dele estava despedaçado. Ele chorou alto, parecia um bebê recém nascido, chamam por sua mãe para acalmá-lo, mas ali... Ninguém viria para afagar-lo, ele tentou me falar algo entre os soluços do seu choro, não entendia suas palavras, mas sentia seus sentimentos, uma dor profunda que era minha também. Senti meus olhos encherem de lagrimas, minha respiração voltou a ficar escassa, mas por causa do choro que me subiu a garganta, eu o abracei tentando acalmá-lo, porem nem mesmo eu era capaz de agüentar aquela dor. 


O velório dos três foi dois dias depois. A família que eu conheci, que eu aprendi a amar, que eu aprendi a apreciar, que eu me sentia segura... Estava ali, naqueles três caixões pretos e brilhosos, brilhando como o piano Fritz Dobbert que eu amava ficar embaixo escutando o vibrar das cordas. Uma criança de oito anos não deveria passar por isto, ninguém deveria passar por isto. Os olhos do meu pai estavam sem brilho, perdidos... Ele se preparava para se despedir do pai, mas não para perder sua mãe e irmão em uma tacada só. 

Meu vestido preto com babados brancos com o chapéu preto chamava a atenção das senhoras e senhores que vinham se despedir dos meus avós e as mulheres que vinham inconsoláveis dar um ultimo adeus para meu tio “Uma princesa como você...” era o que eu mais escutei aquele dia, meu olhar vazio fitando o nada... Todos aqueles estranhos me abraçando, dizendo como eles eram bons, como eles os conheceram como foi o casamento dos meus avôs, como foi à vida deles... E eu... Queria sumir, o choro me trancava a garganta e não conseguia nem sorrir, minha educação foi à zero naquele dia, parecia e me sentia uma boneca francesa, que todos abraçavam e diziam como era linda. 


Se eu já estava afastada do meu pai, depois disto, o buraco pareceu maior. Naquela noite, fingindo dormir ainda na casa da minha avó, escutei a conversa dele com minha madrasta “Se eu não tivesse levado-a em casa... eles estariam vivos”, maldita mania de colocar a culpa nos outros, foi o que eu pensei inicialmente, antes de sentir novamente o gosto amargo do desespero, aquele buraco que crescia cada vez mais, nunca imaginei, mas queria que meu tio estivesse ali, para eu poder fugir para o quarto dele e reclamar que estava sem sono e ele me contar historias até eu dormir. Aquele homem assumiu o lugar do meu pai em tão pouco tempo... Um mês foi o suficiente para entender do porque ele chamar meu pai, meu adorável pai de inconsequente, fraco e covarde. Sempre colocou a culpa nos outros e desta vez, a culpa seria minha.
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Ariel Price

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Re: Ariel - Filha do amor

Mensagem por Ariel Price em Sex 01 Abr 2016, 3:53 am



Sweet Nightmare 

Com o passar do tempo, eu descobri que existem humanos tão perversos
Quanto demônios e demônios tão bons quanto humanos.

A volta para casa foi silenciosa, nem mesmo o radio do carro estava ligado, aquelas três horas pareceram uma tortura, fui do céu ao inferno em uma única noite, vinte e quatro horas de puro pesadelo, como um pai podia colocar a culpa da morte dos outros em sua filha, que nada teve haver? 

Levou mais ou menos uma semana para que meu pai me dirigir à palavra e estás não foram às melhores, disse que eu passava muito tempo em casa, que a escola estava sendo muito pouco para mim e assim eu estava virando uma “garotinha mimada”, engoli aquelas palavras com desgosto, se um dia eu o amei, agora eu o odiava. 

Passei a ter aulas no turno inverso, primeiro era recreação, aulas que ao meu ver eram inúteis, um monte de criança reunidas para atividades idiotas. Pedi para me colocar em aulas de piano, pelo menos isso eu era boa! Ele se negou sem nem olhar para a minha cara. A cada dia trocávamos menos palavras, então que minha madrasta decidiu que eu iria fazer ginástica artística, como não precisava ler nada até que me sai bem, mas odiava aquilo. 

Meu pai se sentia ameaçado com a minha presença, como se eu fosse a culpada por toda a sua dor, tinha que recorrer a minha madrasta, aquela bela mulher que ainda se importava comigo, bom, sempre se deu bem comigo, minha única aliada na minha própria casa! 

No pavilhão ao lado de onde assistia as aulas de ginástica, era o de artes marciais, qual o nome? Bom, só possuía um jeito de descobrir. Fugi de uma aula e fui me aventurar naquele pavilhão, onde o cheiro de suor estava impregnado em cada partícula de ar! Mesmo sendo miúda e tinha problemas com atenção, via aqueles movimentos com uma exatidão absurda, aquilo me atraia igual uma mariposa era atraída pela luz. Não consegui dormir naquela noite, pensando unicamente em como trocar de “curso”, já beirava aos nove anos e meu pai não se importava como eu ia na escola ou na ginástica, só teria que convencer minha madrasta, o que não era difícil, e logo estaria me divertindo no mundo das lutas.

No meu aniversario de nove anos, a festa foi na escola como imaginava! Meu pai me deu um envelope com dinheiro e minha madrasta uma corrente de ouro com as minhas iniciais, bonita por sinal! Na noite, pedi para ela me ajudar e então fiz o pedido para me acompanhar ao clube, foi fácil convencê-la a trocar o esporte que eu praticava, citei que iria ter mais disciplina, ficaria mais centrar e também poderia usar para me proteger no futuro! Acredito que meu discurso foi longo, pois ela já tinha aceitado no momento que eu implorei com um “por favor” mais miado. 

No dia seguinte, usei o dinheiro que ganhei de aniversario para comprar a roupa e equipamentos, claro que não deu, tive que chorar novamente para minha querida madrasta, está já era minha mais fiel confidente!

Mesmo com uma boa preparação física que eu adquiri com quase um ano de ginástica, foi difícil agüentar os treinos, até porque não era simplesmente luta, o estilo era diferenciado. Em vez de me inscrever em karatê, TaeKwonDo, lutas voltadas totalmente ao ataque e defesa... Acabei me inscrevendo em Kung Fu! Sabe o que é isto? Bom, alguém atrapalhada e dispersa como eu, ter que ser disciplinado na marra, para obedecer e ainda ter que alinhar a mente e o corpo? Foi difícil, mas com muita concentração e força de vontade, aqueles ensinamentos pareciam fluir pelo meu corpo. Como o próprio nome “Kung Fu” significa “trabalho duro” foi exatamente o que segui. Mas por algum motivo, possuía habilidades inatas de defesas, sem nem precisar pensar sabia exatamente à hora de me abaixar, pular, direita ou esquerda, investida e evasiva... Se um dia achei que meu único dom era piano, agora sabia que eu nasci para lutar! 

Sentir o suor escorrer pelas costas, sentir o ar faltar aos pulmões, levar meus músculos ao máximo, usar meus sentidos para localizar e atacar... Eu simplesmente me sentia livre! A dor era um prazer, o cansaço era um alivio.

Em menos de dois anos já havia superado vários alunos, não perdia tempo em competições, queria aprender, devorar os ensinamentos do meu mestre! Já que não conseguia ir bem na escola, seria a melhor no que era boa. Depois de um tempo, precisei escolher uma das varias divisões da arte, com varias apresentações de estilos de luta: Tigre, serpente, Garça branca, macaco... Tantos tão belos e atraentes, mas antes das apresentações já estava apaixonada por outro estilo, patético! Mas vi um filme de Kung Fu e o artista lutava com um Kwan! Simplesmente queria! Os ataques eram de uma beleza acima das apresentadas! Mas infelizmente naquele club não ensinavam isto, mas ele conhecia um mestre chamado de Jake, se eu pudesse convencê-lo certamente me ensinaria. Péssima escolha!

Depois de quase uma semana de pesquisas de onde seria o Dojo deste tal de Jake, descobri que era em um beco na parte sul da cidade, em uma escada que levava ao subsolo, atrás de uma porta de metal escarlate, lá estava quem ansiava por encontrar. 

― Uma criança de onze anos andando sozinha na rua, é um perigo ― Disse o homem que tinha aproximadamente uns vinte e cinco anos. Alto e magro detentor de uma beleza imaculada, perfeita. A perfeição da pele quase que faiscava sob a luz fantasmagórica. Seus cabelos negros continham reflexos do céu noturno e os olhos podiam ser comparados a duas garnet azuis, negras com o reflexo azul celeste, quase mágico. Sustive a respiração, mesmo sendo apenas uma criança, já sabia admirar homens e aquele parecia ser mais um deus tirado dos contos de fadas que um homem. Estava sentado em frente a um balcão de madeira, com um copo de wisky na mão, rosando os lábios. Só existia ele naquele salão, um espelho atrás do balcão mostrando vários tipos de bebidas e três mesas um pouco afastadas, com duas portas no fim do salão, era pequeno e ao fundo tocava uma antiga musica de Jazz. 

― Procuro por Jake! ― Disse sem convicção, eu tremia diante dele, ele era forte! Sentia que devia temê-lo, sentia que devia virar os tornozelos e correr o mais rápido que podia! Mas ainda sim, sabia que aquele em minha frente seria o único capaz de me dar o que queria. 

― Talvez eu saiba onde ele está... Mas o que uma pirralha como você quer com um cara como ele? Sabia que ele é perigoso? ― Disse ele em um ar sarcástico e cruel, quase dúbio, mas mesmo assim não me intimidei, agarrei as alças de couro da mochila nas costas para parar de tremer.

― Não fale como se eu não soubesse me cuidar... Sei exatamente onde estou e o que quero... Agora pare de ladainhas e me diga onde posso encontrar este homem ― Atrevida? Talvez! Mas não iria voltar para casa me lamentando por não ter coragem de ir atrás do que eu quero! 

― Ora Ora... É uma gatinha arisca! ― Disse ele debochando, largando o copo na pedra de mármore negro que cobria o balcão e se virou para mim ― Porque eu deveria obedecer uma princesinha como você? ― Continuava debochando.

Fiquei em silencio por um momento, abri e fechei a boca por algumas vezes, ninguém nunca me interrogou daquela forma, todos sempre me obedeceram sem um porque... Quem era ele? Porque não me ajudava? 

― Ficou sem palavras? Deixe-me adivinhar... Pensa no porque não caio de amores por uma criança como você? Rs ― Recuei um passo, com os olhos fixos nele ― Provavelmente quem te mandou aqui, deve ser igual a mim... Mesmo com birras  nunca caiu aos teus encantos? Suas habilidades inatas? Ou até modo de persuasão quase infalível? ― terminou ele, com um sorriso de canto ― Parece que o gato comeu sua língua, gatinha... Vamos diga-me teu nome! ― Sua voz engrossou no final, arrepiei da cabeça aos pés, engoli a seco.

― Ariel! ― falei de uma vez só, rápida como se respondesse a um general que me tinha como sua subordinada. Seu sorriso alargou, sádico.

― Vejo que começamos a nos entender, pequena... Chamo-me Jake... Sou como você... Então não perca teu tempo tentando me persuadir... Você ainda é muito pequena para conseguir alguma coisa de mim... ― Ele me olhou de cima a baixo como se analisasse cada detalhe do meu corpo ― Quem sabe em alguns anos, você esteja pronta para mim. 

Fiquei possessa de raiva! Sentia meu corpo tremer, não mais de medo, algo pior... Raiva! Dei três passos a frente, afrontando o homem.

― Não posso esperar quatro anos! Sou a melhor da minha turma e só você pode me treinar! Agora pare de brincadeiras e me diga o que quer para me treinar! ― Sentia uma chama queimando dentro do meu corpo, não precisava ser manhosa, nem podia! Aquilo não funcionava com ele, meu tom de voz foi firme e alto, como se o desafiasse! E o pior, realmente iria desafiá-lo se precisasse provar meu valor. 

O sorriso nos lábios daquele canalha finalmente ruiu, me olhava serio, fixava meus olhos como uma águia antes de dar o bote.

― Eu sei perfeitamente quem e o que és ― Aquelas palavras me atingiram como uma flecha no coração ― Se teu desejo é tão grande como a chama nos teus olhos se mostra ser... Posso até pensar em te treinar ― Seu olhar me atravessava, não entendia o que queria dizer, aquela pausa em suas palavras me corroia por dentro, então continuou ― Mas será que tu, Ariel... Está preparada para enfrentar o inferno pelo conhecimento desejas? 

― Como assim “o que”? ― titubeei olhando seus hipnotizantes olhos gatnet.

― Serio que tudo que se apegou foi a esse detalhe? ― atalhou, surpreso e frustrado ― Preste a atenção, pequena sereia! ― Disse ele parecendo se zangar ― Na hora certa entenderá! Agora responda-me! ― Meu corpo ficou rígido, em posição de sentido, fixa nele ― Está preparada ou não? ― E o silencio dominou o local, até mesmo a antiga vitrola que tocava Jazz tinha coragem de surtir algum som. Como se no mundo inteiro só existisse eu e ele, seus olhos traspassava-me, via minha alma, meu ser e eu via um guerreiro, o fogo queimava nos olhos dele, o calor das batalhas, era como se estivesse frente a frente com um deus da guerra, quem era ele? Demorei mais que o normal a me pronunciar, se estava encantada ou com medo, não sabia dizer, até me surpreendi quando estufei o peito de ar e respondi com convicção, como se minha vida, se minha existência dependesse daquelas palavras.

― SIM! Estou ciente e preparada que me arrastará para o inferno para me treinar, que transformará minha vida em um purgatório e no fim tudo valerá apena! ― Vi um sorriso se desenhar nos lábios do homem, ele possuía o que eu queria e ele achara o que queria? ― Como meu tio dizia: O destino está gravado na palma da mão. Glória aos bravos. Morte aos fracos! ― Pela primeira vez começava a entender aquelas palavras, aquele homem não era normal, ele era como eu, nunca se encaixou neste mundo... Seria ele capaz de me ensinar a viver? 

― Seu tio é um homem esperto... ― Então ele tomou o copo de wisky em um gole só, batendo com o copo no mármore, com um sorriso sádico nos lábios ― Prepare-se pequena!
 

Se no inicio achei os treinos de Kung Fu pesados, Jake fazia que eles parecessem os mais divinos sonhos. Pegava pesado desde a manhã, dava-me espaço para ir a escola e então retomava a tarde até a noite.



Em casa dizia que precisava de aulas de reforço, já que reprovará de ano! Na escola, mantinha-me afastada dos demais, era a mais bela da escola e a mais arisca também! O tempo que não estava dormindo encima de uma classe, estava me forçando a escutar os professores antes de perder a atenção em algo banal que me chamasse à atenção.  Comia mais que o normal para manter o corpo forte para agüentar o treinamento pesado do meu mestre e a noite, chegava em casa tomava um banho e caia na cama, acordando apenas com o maldito despertador! As primeiras semanas foram um verdadeiro inferno, os machucados nas mãos eram evidentes pelo uso do bastão, tinha que usar calças compridas para esconder os hematomas nas pernas e blusa comprida, mesmo no verão, para ninguém notar as marcas nos braços. 

Jake era um demônio! Levava-me ao limite, mas tenho que admitir, gostava disto... Alguém para me desafiar e não mimar. Se me achava perita em esquivas e investidas, ver Jake treinando e me mostrando os movimentos, me sentia um bebe com todas limitações do mundo!

― Nasci para lutar, Pequena... ― Disse ele, quando me viu de boquiaberta olhando para seus movimentos perfeitos ― Digamos que meu pai é o deus da Guerra ― Disse ele piscando para mim, uma brincadeira bastante infantil, pois não? Limitei a rir.

Passei dois anos treinando com ele, até algo estranho acontecer. Em um sábado, quando voltava de um ensaio de teatro da escola, estava com uma colega de aula, quando percebi um vulto nos seguindo, mesmo que olhasse para trás, não conseguia ver ninguém nos seguindo, mas sabia que algo estava lá. Ignorei, achando que era coisa da minha cabeça, afinal, todos me achavam uma maluca quando eu falava que as letras voavam!

Tínhamos que atravessar o parque para chegar ao ponto de ônibus, para então nos dividirmos, cada uma para seu lado da cidade. Como de costume, em vez de pegar a linha para minha casa, pretendia pegar para o lado norte. Bom, pretendia...



No meio do caminho, acabamos sendo atacadas por algumas criaturas surreais! Por mais maluco que aquilo parecesse, estava disposta a lutar enquanto minha colega de aula estava assustada de mais para se mexer, não me lembro muito bem do que aconteceu, mas quando recuperei a consciência, via Jake machucado sentado ao meu lado, seu olhar estava baixo e triste. Sustive o corpo sobre um braço e  tentei falar, mas senti uma dor indescritível nas costelas. 

― Quieta pequena... Você quebrou duas ou mais costelas! ― Disse ele desviando o olhar para mim e depois repousando em algo mais afastado de nós, limitei a ficar deitada para não doer tanto, não via as fissuras celestes em seu olhar, tão pouco entendia o que havia acontecido. Escutei a sirene longe, se aproximarem com pressa. Jake se virou para mim e forçou um sorriso.

― Se recupere e venha me ver... Precisamos conversar ― Levantou e em poucos estantes, não o via mais. Uma forte dor na cabeça me fez desmaiar novamente, não foi por um golpe, mas sim por estar muito debilitada. 

Acordei no hospital, duas costelas quebradas, vários hematomas pelo corpo e um belo talho na cabeça causado por uma forte pancada, e se quer saber? Tive sorte! A garota que estava comigo, perdeu os movimentos das pernas! Atraia tudo quanto era azar! Meu pai veio me visitar no hospital, primeiramente ficou emotivo, dizia coisas bonitas, que não queria me perder, mas ao longo do mês que tive que ficar encarcerada naquele maldito quarto, nossa relação voltou a piorar. Fui diversas vezes interrogada, pela policia, cada vez contava uma historia... Aquilo virou minha diversão pessoal! Contar que vi um monte de monstros nos atacarem? Queria um passe direto para o sanatório municipal? Rs... Não brigada!

Como se não fosse suficiente levar a culpa do meu tio e avó ter morrido, pois meu adorado pai não pode dirigir o carro onde eles estavam, pois tinha que levar a filhinha para casa, agora a paralisia e o ataque em si eram culpas minhas também! Meu pai era um completo idiota! Eu o odeio do fundo do coração! O desprezo! 

Novamente, repeti de ano na escola! Novidade! Mas agora minhas adoráveis noites de sono eram aterrorizadas pelas criaturas que me atacou no parque, acordava gritando, minha madrasta vinha me acudir... E quando contava o que sonhava ela dizia que aquilo não existia, mas eu sabia que existia! Quebrou-me duas costelas!

Mesmo fora do hospital, tinha que repousar em casa, queria muito ir ver Jake, sentia sua falta, não só dos treinos, mas da companhia! Ele era igual a mim... E não, não era fisicamente que estava atraída. 

Em uma das noites, acho que foi o mais real pesadelo que tive, senti como se as criaturas estivesse em meu quarto, me rodeando, meus instintos me diziam isso, levantei-me em prantos e ali, cometi um grande erro. Contei a minha madrasta o que via, o que atacou a mim e a outra garota no parque! Estava desolada! Mal passou três dias e escutei que meu pai queria me internar, já tinha sintomas de doenças mentais TDAH e dislexia... Agora via coisas? Era o que faltava para ele se ver livre da desgraça dele, afinal, por minha causa que minha mãe morreu! Culpas e mais culpas! Estava farta! 

Quando o medico me liberasse daquela internação forçada, aquele pesadelo constante dentro daquele quarto verde-água seria levada ao sanatório. Naquela noite, mesmo sentindo dores nas costelas, peguei minha mochila e coloquei algumas mudas de roupa, minhas poucas jóias e o dinheiro que juntei dos aniversários que ganhava. 
Mandei-me sem olhar para trás....
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Re: Ariel - Filha do amor

Mensagem por Ariel Price em Sex 01 Abr 2016, 4:01 am



 Hey Brother 

Cada pessoa tem sua historia, sempre há um motivo para ela ser quem é, se não for capaz de entender isso, você nunca será capaz de dar o amor que ela precisa.


Cheguei ao antigo bar, naquele beco descendo as escadas e atravessando uma porta de metal carmesim. Cheia de dores nas costelas, com uma dor forte na cabeça e lá estava ele, vestido com uma calça jeans escuras, uma camisa azul marinho com os últimos botões abertos, tênis preto. Apreciando seu wisky em um copo de vidro colorido, aquela vitrola tocando aquela musica irritantes de Jazz antigo. Ele me olhou surpreso, como se perguntasse o que fazia lá no meio da noite!
 
 
Minha visão ficou turva e a respiração pesada, me fazendo respirar em arfadas. Um nó preso na garganta, com apenas treze anos fugi de casa, fugi para não ser presa. Perdi as forças e senti minhas pernas tremerem, não agüentando meu próprio peso cai de joelhos no chão escuro de pedras, quando notei, Jake já me apertava contra o peito, sussurrando que estava tudo bem, para ter calma, respirar e a única coisa que consegui fazer, foi desatar a chorar. 
 
 
Entre os soluços tentava explicar o que houve, deixando-o apenas com uma cara de bobo entendendo menos ainda. Seus olhos brilhavam, as fissuras celestes dançavam em seu olhar, os afagos nos cabelos me acalmavam. Demorou até eu pegar no sono, ali mesmo naquele chão de pedras, que por mais maluco que parecia, era o melhor lugar do mundo. 
 
Acordei na sala de trás do bar, era um pequeno escritório que Jake usava como quarto, estava deitada no sofá cama, que gritava como uma gata no cio quando me mexia. Não demorou a meu mestre entrar, me trazendo uma xícara de chá, bem forte. Ainda estava com os olhos inchados quando o encarei, sentando-se na cama na minha frente.
 
 
― Então pequena... Vai me contar? Agora, por favor! Sem chorar, não entendi nada ontem! ― Disse ele rindo, zombando de mim. Estava calma e podia contar, bebendo devagar o liquido quente e amargo da xícara verde, minha voz saia tremula e aos sussurros, contei tudo... Desde as culpas que meu pai me incumbiu, meus avos e tio e o ataque mês passado no parque. Ele era paciente, mesmo quando o choro me subia, aguardava em silencio, enquanto me recuperava para então continuar a explicação.
 
 
Quando terminei já tinha tomado duas xícaras de chá. Ele respirou fundo para começar.
 
 
― Você não está maluca, muito menos doente... ― Seu olhar estava baixo, parecendo triste por ter que me contar. Explicou-me do erro que cometi no momento que ignorei meus instintos, me contou que o motivo dos meus avôs e meu tio terem morrido podia ser culpa das mesmas criaturas que apareceram no parque.  Contou que a historia sobre o pai dele ser o deus da guerra não era mentira, ele era filho de Ares. E que nos últimos meses me seguia, pois notou que existia algo envolta de mim, por isto veio ao meu auxilio no parque, se desculpando por chegar demasiadamente tarde. Como eu podia acreditar nisto? Disse que era mentira, total mentira! Mas não tinha como negar que olhando por este lado tudo se explicava.
 
 
Demorou algumas semanas para conseguir assimilar tudo aquilo, mas no fim passei a aceitar, afinal, mesmo estranho era lógico! Explicava porque ele era parecido comigo, porque dos meus instintos, porque eu sabia lutar tão bem e também das minhas doenças como TDAH.  
 
 
Ainda me recuperava por isto os treinos foram suspensos até segunda ordem. Naquela tarde, Jake me levou no apartamento de uma mulher, estranhei quando cheguei lá, tinha roupa para tudo quanto era lado e a mulher, passava dos quarenta e não largava o cigarro, quando este apagava estava a ascender outro! Ele pediu por uma roupa eu vestir, afinal, hoje era noite de show! Precisava de mais dinheiro para alimentar mais uma boca, senti uma raiva tomar conta e antes que eu pudesse dar uma surra naquele maldito, a mulher me puxou.
Acredito que troquei de roupa umas quarenta vezes, entre vestidos e roupas coladas, tudo que escutava do maldito atirado no sofá era: Não está bom!
 
 
Será que podia matá-lo? Precisava só de um movimento para acabar com a raça deste maldito filho de Ares! Maldito pervertido que se divertia com minha troca sem fim de roupas! Mas finalmente, quando estava com um vestido azul turquesa e acabamentos em preto ele aprovou.
 
 
O vestido era tomara que caia e acabava um pouco acima dos joelhos, a saia era rodada e a parte do tronco colada ao corpo, salientando minhas curvas que estavam se formando, mangas longas e soltas. Com botas de cano longo preto, cabelos soltos apenas com as pontas em cachos e uma maquiagem leve no rosto, brincos que brilhavam mais que estrelas, estava pronta! Pronta para o que?!
 
 
Pegamos a estrada logo em seguida e fomos para o interior, em uma cidade distante, a cerca de duas horas. Sempre que eu me dispunha a dormir, era acordava com uma bronca: quer borrar a maquiagem? Senta-te direito que vai amassar o vestido! Quem ele era pra me dar tanta ordem?! Para me distrair ligou o radio e tocou a maldita musica, repetidamente, na vigésima vez eu queria tocar aquele maldito MP3 pela janela! Se não fosse o MEU, teria feito isto. 
 
 
Chegamos quando a noite já avançava, paramos em um galpão, onde muitas pessoas estavam reunidas, no palco alguns tocavam timidamente e outros até desafiavam a ser mais corajosos! Tocavam com tudo que tinha, fui entender o porque quando Jake me colocou uma paquinha no pescoço com o numero 348. Ali era um festival de musica e ele queria ganhar o premio, só não sabia onde eu entrava nesta historia.
 
 
Fui elogiada por muitas pessoas enquanto aguardava nossa vez, jake era me conhecido por aquelas bandas, perguntavam se eu era irmã dele, namorada ou apenas amiga... A cada resposta ele dizia uma coisa, se divertindo com aquele jogo. Quando eram senhores éramos amigos, quando tinha mulher bonita junto éramos irmãos! E quando queria fazer ciúmes para alguma mulher do passado dele, dizia que éramos amantes! Que já morávamos juntos... Grande idiota!
 
 
Finalmente chamaram nosso numero, fui arrastada para o palco junto dele, mesmo se tentasse, não conseguiria me desvencilhar daquela mão forte que me puxava. Ele me deixou no meio do palco, colocando na minha cabeça um chapéu de callboy preto e se sentou em um banco alto com um violão no colo, disse para eu acompanhá-lo na musica, entendi agora o porque me fez escutar aquela musica milhões de vezes.
 
 
Avicii - Hey Brother” inicialmente comecei como a segunda voz, então ele dedava as cordas do violão, mas acabei me empolgando no refrão, assumindo a primeira voz, sendo doce e direta como a musica pedia, cantava com energia e com o coração, transmitia aquelas palavras não só ao corpo, mas como a alma daqueles que me escutavam, lembrei-me do aniversario da minha avó, senti um nó na garganta, mas quando olhei para Jake, com um sorriso nos lábios, não podia parar. Engoli meu passado e continuei o que vim fazer. Jake assumia a segunda voz como se esperasse por isto, alguns poucos dançavam e outros estavam hipnotizados a minha beleza e cantiga. 
 
 
Senti-me como quando tinha oito anos e tinha acabado de tocar a valsa mais difícil que eu conhecia, todos me aplaudiam vidrados em mim, me sentia nas nuvens como se nada pudesse me tirar àquela felicidade! Até uma forte dor no coração formar um nó na garganta, olhei para baixo, deixando o chapéu cobrir meu olhar. Aquele sentimento ruim magoa e saudades me acertaram em cheio! O choro engasgado na garganta, “não mereço isto” foi o que pensei.
 
 
Então que Jake laçou-me o pescoço com o braço, puxando meu corpo para colar no dele, ficando lado a lado a ele ― Viram? Alem de linda é tímida! ― E todos riram, não era verdade, mas ninguém precisava saber, respirei fundo e sorri sem graça. No fim da noite o grande premio era nosso, me usar era quase uma trapaça! 
 
 
E assim foi o resto do ano, quando me recuperei por completo o homem de olhos Garnet voltou a me treinar, não pegava mais tão pesado, pois tínhamos mais tempo, completei meu quatorze anos e já tinha largado a escola! O que aquilo me ajudava? Arrumava bicos aqui e ali, meu corpo não denunciava minha falta de idade e sempre tinha Jake para me acobertar ou ajudar a convencer os outros.  Finalmente achei que minha vida tinha entrado nos eixos. Mas quando completei os quinze anos, senti mais uma rasteira da vida. 
 
 
Meu mestre não me olhava mais como um irmão ou um protetor, seu olhar era mais carnal, não era mais uma criança. Não que ele me fizesse mal, mas suas frases dúbias e olhares me... Despertavam curiosidade? 
 
 
Jake me obrigou a fazer um supletivo para concluir os estudos a noite, por isto ele tentava me ajudar nas aulas, sabe qual era o problema? Se as palavras voavam para mim, pra ele nem paravam no papel! Divertia-me com as caras e boca que aquele homem fazia ao encarar uma pagina da apostila de geografia ou historia. Passávamos tempo de mais juntos para lembrar a existência de outras pessoas, ainda mais retraída do jeito que era, mais fácil morrer sem conhecer alguém. 
 
 
Lembro-me daquela noite como se fosse a poucas horas. Estava estatelada no chão após um treino pesado, olhando para cima com o bastão afastado. O teto de madeira que conhecia tão bem, cada fissura, quantas vezes mesmo passei olhando para ele? O chão gelado contrastava com meu corpo quente e suado, minha camiseta preta colada ao corpo e o short verde escuro, descalça por não gostar de nada atrapalhando a movimentação do meu corpo, meu coração batendo como um tambor e a respiração apressada. 
 
 
― Vai pegar uma gripe assim ― Disse Jake, também lavado de suor, seus cabelos úmidos e bagunçados, um cara galinha e charmoso. Suspirei fundo e virei o rosto.
 
 
― Não enche! ― respondi atravessada, estava exausta... Ele fez por merecer! Pegou muito pesado. Não o vi sentar ao meu lado com os braços para trás olhando para o mesmo teto de madeira que eu conhecia como a palma da minha mão.
 
 
 Mal educada! ― devolveu-me no mesmo tom, parecendo magoado! Era só o que me faltava, agora ele tava sentimental de mais!
 
 
― Idiota! ― retruquei, fazendo-o me olhar com uma sobrancelha levantada.
 
 
― Estás a me desafiar, pirralha maldita?! ― me provocava o maldito, olhei-o com cara de deboche, sem precisar nem responder! Não é que o maldito investiu? Pulou encima de mim e me segurou os braços acima da cabeça ― Pequena, tenho que te lembrar, que não és mais uma criança? ― perguntou me fixando os olhos, me corpo ficou rígido e eu me debati.
 
 
― Me solta Jake! ― resmunguei tentando me soltar, mas querendo ou não, era menor, mais fraca e mais nova.
 
 
― E se eu não soltar? Está me provocando faz tempo! Pensa que não notei? Melhor você se aquietar ou acabarei por não me segurar ― Provocar?! Desde quando o provocava? O olhava sem entender nada.
 
 
― Eu não... 
 
 
― Não negas! ― Disse ele apertando-me os pulsos, gemi de dor, seu olhos brilhavam como se estivesse enfeitiçado, seria alguma criatura que o envenenou?
 
 
― Jake?! Deixa de besteiras! Me solta! Estas me machucando! ― gritei, tentando fazer-lo voltar a ração, mas não parecia surtir muito efeito. 


Então que ele fez sua ultima investida. Quando ele tocou meus lábios, fluiu uma força estranha... Como se Jake tivesse entrado violentamente dentro de mim, foi intoxicaste, não sabia se apreciava ou se repudiava, não retribui. Ele mordeu meus lábios com desespero até cortar-me a carne e fazer meu sangue verter dentro das nossas bocas e ele finalmente acordou.
 
 
As fissuras celestiais brilhavam naquela vastidão negra dos seus olhos, fixos tão perto que podia pensar que estava presa dentro deles. Olhava-o tremendo, o gosto metálico me deixava pasma, mas nem me importava com a dor causada pela investida. 
 
 
 Ariel! D-desculpa! ― Disse Jake saindo de cima de mim com um pulo, colocando a cabeça entre as mãos, não acreditando no que fez e eu? Estática colada no chão que agora estava quente e ele nunca havia me chamado pelo nome. 
 
 
Mais a noite, mal conseguia encara Jake, não entendia o que aconteceu, não conseguia culpá-lo também, algo nessas historias inexplicáveis deveria explicar o que houve de fato. Estava sentada na cama, abraçada nas pernas quanto Jake apareceu, vestido de preto, perfumado com o casaco em mãos.
 
 
 Onde vai? ― perguntei preocupada, pretendia me abandonar, justo agora?
 
 
― Não posso te agarrar de novo... ― Disse ele sentando na cama, olhando para o chão.
 
 
― Não foi culpa sua... ― resmunguei, tentando apaziguar as coisas.
 
 
― Impossível não te amar, não te querer... Pequena, sou homem esqueceu?! ― Disse ele tentando se explicar, mas eu tinha certeza que a culpa não era dele! 
 
 
― Algo te enfeitiçou! Te hipnotizou! Não me machucou, parou antes disso ― Fingi um sorriso.
 
 
― Sim! Você me hipnotizou! Esta se transformando em uma bela mulher, acha que não noto? Não é mais uma criança... Impossível não sentir atração por você, ainda mais te conhecendo como te conheço, tendo intimidades como possuo! ― Disse ele, me olhando de canto, como se tivesse medo de não ter forças para se segurar novamente. 
 
 
― O que quer dizer com isto? ― Resmunguei, segurando o choro, novamente iria ficar sozinha e isto me aterrorizava mais que as criaturas que apareciam com mais freqüência ― Quem vai me proteger? Quando aquelas “coisas” aparecerem?
 
 
― Não vou sumir por tanto tempo... Apenas até me controlar e perder essa cisma com você... Uns três ou quatro meses... Acho que minha aprendiz consegue se virar, não acha? ― Disse ele, tentando me dar “apoio”, fracassando grotescamente.
 
 
― E se eu aceitar?  Não quero ficar sozinha! ― apelei, fazendo-o me olhar com pena.
 
 
― Ariel, eu tenho o dobro da sua idade... Isso no mínimo é pedofilia... E não, não quero que aceite por aceitar... ― Ele fez uma pausa ― Não quero ficar com alguém por causa de atração física... Por isto você terá que saber distinguir isto... Entendeu?
 
 
― Você tem o dobro da minha idade?! ― Falei indignada ― Pervertido! Tarado! 
 
 
― Serio que foi isso a única coisa que você prestou a atenção, pirralha maldita? ― atalhou, surpreso e frustrado ― Preste a atenção, imbecil! ― reclamou ele zangado, me arrancando um olhar curioso, como se não entendesse, mas entendia perfeitamente... O que quer que eu fosse, trazia consigo tal maldição e com ela, devia aprender a me acostumar com a ida e vinda de pessoas que amo, alguns eram encantados e outro interesse, mas ele não precisava saber que eu entendia.
 
 
― Você tem trinta anos? Tá brincando! ― ele me olhou com tanta raiva que se levantou.
 
 
― Conversar com você e uma porta ― Disse ele pegando o casaco bruscamente de cima da cama ― é melhor com a porta que não retruca! ― Ele bufava enquanto eu fingia um sorriso, era um adeus. Ele parou meu fixando como se quisesse fixar meu rosto no fundo da sua mente, se aproximou me afagou os cabelos e beijou-me a testa.
 
 
― Me espere, pois voltarei, Pequena! ― Disse ele forçando um sorriso, sabendo que eu já não podia proferir uma palavra se não desataria a chorar ― Se cuide e mantenha-se longe daquelas criaturas, lembre de estudar! Vou mandar dinheiro para te ajudar... Ligue-me se precisar... Mesmo que eu saiba que não fará isto... ― Me puxou contra seu peito com força, beijou-me os cabelos, senti seu coração batendo com força, eu o amava como a um irmão porque tinha que misturar as coisas? ― Confie apenas em você mesma, és tua unica aliada e Juro! Prometo que volto, afinal, não posso deixar minha "quase" irmã sozinha...
 
 
Então ele se virou como um turbilhão e sumiu, trancou a porta do bar e me deixou naquele quarto que na verdade era um escritório, naquela cama que gritava como uma velha. Chorando e soluçando, em prantos, sozinha novamente. 
Será que ninguém iria me amar de verdade? 
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Re: Ariel - Filha do amor

Mensagem por Ariel Price em Sex 01 Abr 2016, 4:13 am


New Life
 
Não tema, Não se descuide, esteja atento a tudo á seu redor, não baixe sua guarda nem por um segundo.
 
 
Passaram alguns meses, recebia religiosamente um envelope com dinheiro para as despesas e uma carta de Jake, perguntava se estava tudo bem, se eu me alimentava e cuidava de mim, ia para a escola? Passei nas provas? Nunca pensei em responder até porque sei endereço mudava mais que eu trocava de roupa. Já era passado, mas mesmo assim, doía-me o peito ao me lembrar dele, mas ainda sim seguia em frente de cabeça erguida. Naquela tarde corria, atrasada para a revisão da prova de historia, faltava pouco para me formar no ensino médio e não podia repetir naquela prova! Caso contrario, mais meio ano para me formar... 
 
Mesmo contra a vontade, peguei um atalho, algumas ruas secundarias, pular uma grade e outra para conseguir pegar o ônibus no próximo ponto, tão desesperada que ignorei pela segunda vez meus instintos e quando dei por mim já estava cercada, pelas mesmas criaturas que me atacaram anos atrás no parque, mas desta vez estava só... Não teria Jake para me proteger e mesmo treinada, estava desarmada para conseguir investir contra tantas criaturas. Resisti, esquivei de uma e outra e desatei a correr. Virei a direita, esquerda... Pulei cerca, continuei a correr, virei outra esquina e dei de cara com mais criaturas... Virei os tornozelos e corri para outro lado, passei por debaixo de uma cerca cortada, corre... Corre! Já arfava para conseguir preencher os pulmões de ar, quando vi um garoto, mais alto... Loiro parar em minha frente.
 
― Está louco?! Corre! ― Disse antes de notar aquele sorriso nos lábios, conhecia aquela expressão como ninguém! Encostei-me contra a parede, me sentindo encurralada não por ele, mas pelas criaturas que não eram mais uma dúzia, estavam em grande escala... Seria meu fim? Então que aquele garoto desatou a retalhar as criaturas, como se não fossem nada e o pior, via o brilho no seu olhar cada vez que transpassava uma criatura, o sorriso de satisfação e os gritos de puro prazer. Ele era louco!
 
Como se não fosse o suficiente, me arrastou com ele. Jake nunca me falou que existiam outros como nós, pra falar a verdade, a única vez que falou foi quando fugi de casa! Aquela historia era tão absurda que me negava a perguntar um A, com medo de comprometer minha sanidade mental para todo o sempre!
 
― Estava atrás de você, garota! ― Disse ele sendo bem descontraído.
 
― Eu? O que tenho de especial? ― Olhava para seus olhos, algo neles me lembravam Jake, me fazendo desviar.
 
― Tudo! Uma semideusa como eu! ― Disse ele orgulhoso, podia dizer que conhecia aquela historia, que mesmo não admitindo sabia que era verdade, mas Jake sempre me alertou, quanto menos soubessem sobre mim, mais chance teria de vencer, então me limitei a fazer uma cara de surpresa.
 
Ele me arrastou, ficamos encurralados por diversas vezes, então entendi que era essa parte que ele gostava, amava como ninguém retalhar aquelas criaturas! Como de costume, nunca olhei muito para o local, mas para a confusão... Quando dei por mim estava em um acampamento, para ser mais exata em um refeitório... 
 
Vi ao fundo um grupo de adolescentes se aproximarem, com um centauro... “Não busque explicações, apenas aceite e chegara mais rápido ao objetivo” eram as palavras de Jake que me vinham a cabeça. 
 
Aquele garoto na qual me salvou e me arrastara para aquele lugar maluco se aproximou, falando que eles eram novos campistas e que tiveram mais sorte que nós... Na real, qualquer um teria mais sorte que nós! 
Ai que minha vida realmente virou de cabeça para baixo...
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