Morphia

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Morphia

Mensagem por Admin em Sab 12 Mar 2016, 8:32 pm

Morphia.... Haaaaaa a bela Morphia. Lar dos espíritos  ímpios. Morada dos sonhadores despertos e conquistadores. Bela terra de sonhos inspiradores. Bela terra que nasce as grandes mentes, dos grandes mestres nas artes; sejam elas pinturas, didático ou cinematográfica, ali, é o começo de tudo que venha significar, glória. 

Assim como suas irmãs, Morphia data do começo do sonhar e nela, as nove musas vivem desde o princípio, pois é delas que vem os cantos que inspiram os artistas, os atletas e cantores. 

Embora, seja tão antiga quanto Phantasia e Phobetor, Morphia possuía um aspecto jovem pois ela constata a aparência de seu senhor e Morpheus, lorde dos sonhos mortais, era o mais jovem, mas não o menos importante pois dele, é que nasce os sonhos, sejam eles Fantásticos ou grotescos como pesadelos. 

Morphia nunca foi dividida em condado ou reinos, pois Morpheus permitia o livre arbítrio de cada alma a construir seu próprio mundo, seu próprio sonhar. 

Foi ali, que um jovem corredor automobilístico, sonhou com sua corrida do ano, a corrida que o consagraria campeão da fórmula 1, e tocado por uma das musas, o jovem foi campeão com um fraco carro da Lotus. Esse jovem veio a se tornar maior corredor de todos os tempos, esse jovem era Airton Senna. 

Foi ali, no período renascentista, que um homem dotado de talento, avistou uma bela mulher. Uma musa, e dela pintou sua maior obra, tal  obra veio a se chamar, Mona Lisa. 

Foi em Morphia que o maior sonhador tirou sua inspiração, foi lá, que Homero conheceu toda a história sobre os Deuses. 

Morphia também reserva a magnitude de poder encontrar seus entes queridos que partiram, pois um acordo feito com Hades, libera a alma do falecido para encontrar, em sonho, seu amado ou amada. 

Nos céus do belo reino, o mais estupendo mundo fora criado. Criado das mentes fiéis a um único Deus, das mentes daqueles que acreditam nos seres de aureas pulsantes e asas brancas e afiadas como navalhas, das mentes que acreditam em anjos e arcanjos. 

Fora lá, em Morphia que a conexão  do plano etéreo era feita e de lá, podia-se ver o Palácio da Alvorada, lar dos celestiais. Era possível ver os majestosos arranha-céus prateados de picos pontiagudos, podia até mesmo observar os alados voando em constante vigia, pois eles eram soldados e jamais deixavam sua tarefa. 

No Castelo dos sonhos, o lugar onde ficava a conexão do sonhar e do etéreo, ficava também a fortaleza de Morpheus. Era tão belo quanto as construções medievais. Um castelo grande, brilhante como o ouro, forte como titânio. Suas ameias  eram tão altas, que facilmente tocavam as nuvens, suas Torres, podiam ser vistas bem próximas do Palácio de Alvorada. 

Era uma fortaleza imponente, cercado por um fosso de óleo e protegida por gigantes estátuas de lutadores trajando armaduras medievais, helênica e até mesmo romanas e claro, trajes atuais como as vestimenta de Fuzileiro. 

Em seu interior, se prezava a simplicidade de Morpheu. Corredores vastos, tapetes vermelhos, e colunas prateadas que sustentava um teto em abóbada com pinturas feitas por quase todos os sonhadores antigos e novos, entre eles, estava uma pintura inacabada de Annita Malfatti. 

Na sala dos tronos, um local arredondado, vasto e alto. Estátuas de Hypnos e Thanatos retratados como anjos, estavam imponente em cada canto do lugar.  As janelas, eram altas com cortinas claras que balançavam facilmente com o mais leve sopro. Ao fundo dois tronos dourados e aveludados jaziam impecáveis e em um deles, onde deveria estar sentado um deus do sonho, se encontrava o deus da morte. 

-Então? - Austeiro, ele apressou em obter a resposta de uma bela  jovem morena, que acabaram de "acordar" ali. - Diga-me, estais disposta e conceder-me tua vida, criança? 

Ela estava diante de Thanatos, senhor de todas as  Mortes. Lauren, estava diante de um grande dilema, entregar sua vida a morte ou morrer.
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Re: Morphia

Mensagem por Agatha de Bourgh em Dom 20 Mar 2016, 3:21 pm

Depois do clarão, tudo voltou ao breu. A visão da Lua, as memórias tão antigas, as vozes e seu clamor, tudo provavelmente eram esforços de sua mente para que se mantivesse acordada, mas novamente a escuridão tomou conta, e Lauren havia voltado ao estado de calmaria, onde nada via e nada fazia, era apenas como a brisa.

Até que, em meio ao nada, Lauren podia ouvir uma bela voz masculina. “Interessante”, ele falava, e seu timbre ressoava na escuridão como se fosse parte dela. Vinha de todos os lados e de todos os tempos, como se um anjo falasse a ela. A voz chamava a filha de Apolo para si, e revelava-se como Thanatos, o deus que trazia a morte consigo, sua própria personificação. Lauren nada falava ou sequer pensava, ouvia àquele timbre atemporal passivamente, mas logo toda sua calmaria foi tragada de volta à realidade, praticamente arrancada de onde estava. De repente, ela sentia-se em seu corpo novamente, com direito às vestes ensanguentadas e às dores das feridas que havia levado. De seus lábios saía um traço de sangue que já havia secado, manchando a boca da garota de escarlate.

Caindo de volta a si, Lauren pode ver apenas, por um bom tempo, a face daquele que a havia despertado. Thanatos, aquele que levava as almas ao Hades, portava-se com imponência digna de seu nome perante a filha de Apolo. Seus cabelos, longos e prateados, emolduravam sua face simétrica perfeitamente, e Lauren não poderia negar que aquele era o homem mais belo que já havia visto, como se a própria proporção áurea houvesse sido criada com base em seus traços. Thanatos trajava um conjunto formal, e às suas costas, um par de asas negras e exuberantes era digno de ser admirado. O deus estava assentado num trono dourado, e disse à bela onde ambos estavam: Morphia, o reino de Morpheus, a terra dos sonhos. A informação levou Lauren a tirar os olhos do deus e analisar o local em que se encontravam.

Era uma vasta sala arredondada, repleta de estátuas, adornadas com leves cortinas, debaixo duma abóbada decorada com os mais diversos tipos de pintura, obras de inúmeros artistas que Lauren conhecia e admirava. Se apenas aquele cômodo era ao mesmo tempo, simples e belo, a filha de Apolo sequer poderia imaginar toda a exuberância do resto daquele reino. Morphia dava à ela uma inspiração que jamais havia sentido, a garota sentia um ímpeto de cantar e tocar como nunca, uma aura que Lauren podia sentir crescendo e tomando conta de seu coração.

No entanto, Lauren foi, mais uma vez, retirada de seu devaneio pela voz angelical de Thanatos. Seu timbre rigoroso exigia uma resposta. Estaria ela realmente disposta a entregar-se à morte?
A filha de Apolo abaixou seu olhar e fitou seu corpo ferido. Fisicamente debilitada e sem os poderes que emanavam de seu pai, este era seu estado. Nos cinco anos em que esteve vivendo como uma semideusa, nunca Lauren havia se sentido tão inútil como naquele momento. Se continuasse daquele modo, sua presença seria mais um fardo do que uma ajuda. Por mais que a ideia da morte, do Hades, fossem terríveis em sua mente e atormentassem sua imaginação, Lauren durante momento algum permitira-se ser um atraso.

“Diga-me, estais disposta a conceder-me tua vida, criança?”, a pergunta de Thanatos ecoava em seus ouvidos. Perante o deus prateado, Lauren desembainhou sua cimitarra e colocou-a ao chão, à sua direita. Prostrou-se sobre os dois joelhos no chão, e abaixou a sua cabeça de modo que todo seu cabelo veio à frente, expondo sua nuca alva. As mãos descansavam em suas coxas. Respirando fundo, Lauren enfim permitiu que seu timbre melódico saísse de sua boca:

- Não, senhor.

A filha de Apolo via-se obrigada a ter seu momento de egoísmo. Embora sem condições nenhuma, ela queria continuar a viver, continuar a lutar. Lembrava-se de seus irmãos do chalé 07, de Yves a Mariah, de seu tão querido sátiro, de suas memórias em Colmar durante sua infância, dos companheiros novos de batalha que havia ganho naquele dia, de seu pai desaparecido, e percebera que ela simplesmente não poderia abandonar tudo ainda, não estava pronta para largar tudo que aprendera a amar e a lutar por aquilo. No entanto, Lauren bem entendia que Thanatos não pouparia sua vida apenas por um “não”, e se ela quisesse continuar lutando, deveria esforçar-se para isso.
Lembrou-se, então, que antes de ser uma semideusa filha de Apolo, ela era Lauren Giscard, uma jovem musicista francesa, uma artista que sabia usar seus talentos a seu favor, sua voz sendo um deles. Desse modo, ainda com a cabeça abaixada, Lauren voltou a falar:

- Lhe peço perdão, Lorde Thanatos, se nesse momento ajo contra sua vontade ou suas expectativas, mas devo dizer que vejo-me obrigada a negar vossa oferta, pois minh’alma não está ainda na posição de aceitar o ósculo da morte.


Embora falasse, seu timbre era tão suave e melódico que passava a sensação de estar cantando. Lauren transmitia com transparência sua reverência e seu respeito àquele que estava à sua frente.

- Bem conheço que és tu Thanatos, a Morte, o cavaleiro do Hades, e que minha vida agora jaz sob teus poderes e tua vontade. Em momento algum eu procurei aborrecer-te ou enganar-lhe, meu senhor, pois sei que podes ceifar minha vida se lhe aprouver. No entanto, devo clamar-lhe pedindo que estenda sua misericórdia até mim, livrando a ambos de nós dessa tarefa árdua e pesada que é trazer a morte a alguém. Bem conheço, meu senhor Thanatos, que, embora falem que o senhor é dono de um coração de ferro, tu também se regozijas perante os bons sentimentos, e seu coração é também dono de grande bondade. Espero, meu senhor, que reconheças que, assim como seu coração arde com a dor de um amor que não se realizou, também meu coração arde ao pensar em partir dessa vida sem poder auxiliar meus queridos num momento como esse, meu senhor. Sem poder saber onde se encontra meu pai, e sem saber como poderei lutar ao lado de meus irmãos. Não posso abandoná-los nesse momento, senhor Thanatos.

Ao passo que falava, Lauren sequer percebia que uma lágrima ou outra rolava lentamente por seu rosto, sabendo das consequências que ambas as decisões lhe trariam: morrer ou entregar-se à morte.

- Em sua oniciência divina, bem deves saber, Thanatos que, uma vez dita, minha palavra não é revogada ou se torna razão de arrependimento. Por isso lhe comunico que, se achares em mim uma única gota digna de vossa benevolência, terás nessa mulher que lhe fala uma eterna admiradora e fiel aliada. Por nenhuma noite me esquecerei de cantar a ti e bendizer teu nome, sendo testemunha de sua misericórdia por onde quer que eu ande. Entregarei minha alma em vossas mãos para que tenhas de mim o que achar necessário para livrar-me da morte.

Ela não estava em posição alguma de pedir algo como aquilo, de modo ou outro Lauren já estava fisicamente muito próxima da morte, suas feridas sempre lembrando-a de dores terríveis que teimavam em cessar. No entanto, ousou a continuar:

- Devo dizer que não agirei como Sísifo e não enganarei-lhe com minhas palavras, e nem sequer como Hércules, aceitando com bel-prazer quando o senhor, Thanatos, julgar o momento de me buscar, pois és tu um deus digno de meu maior respeito e admiração. Portanto lhe clamo, Thanatos, que poupes minha vida e em troca, terás de mim o que lhe aprouver.

Lauren um momento sequer levantou a cabeça, e, com respeito à figura do deus que estava frente a ela, silenciou-se, aguardando uma resposta de Thanatos ao seu clamor. Seu coração batia frenéticamente, juntando a ansiosidade ao medo. Interferir a Morte não era algo fácil de ser executado.
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Re: Morphia

Mensagem por Andreas Passini em Qui 31 Mar 2016, 11:16 pm

Diante da súplica da semideusa, o senhor que tudo ceifa, nada disse, sequer exibiu uma expressão que revelasse, ou irá, ou benevolência, afinal, a morte propriamente dita, não tinha em si a ira ou benevolência, Thanatos era a morte, pura e simplesmente. 

-Tais súplicas fazes  este deus achaste , que mais me pareços Jesus Cristo do  que a Morte. - Sua frase foi mortal para  a menina que o fitava com esperança de viver. - Acasos sois, este ente iluminado? 

Não... Era a resposta que permeava e quebrava o coração e a mente de Lauren destruindo por completo a esperança que nascia do mesmo lugar que bombava sua vida. 

Ele se levantou e com ele, o salão foi tomado por uma lufada de vento que provinha dos campos floridos próximo da passagem que daria na fronteira com o palácio celestial. 

O deus, belo como um anjo, atemporal como, bem, um deus,  mostrou-se mais imponente com sua postura firme, suas asas negras a balançar nas costas e seus cabelos prateados a dançar com o vento e seus dois metros e meio, dava a Leuren a tamanha magnitude de sua presença. 

-Triste és  o ser que súplica perante a morte, triste és aquele que mesmo diante deste deus, não reconheces o que está a sua frente e pior, penoso és aquele que não vê as circunstâncias que se metera. 

O que aconteceu a seguir deu a certeza para Leuren, ela iria morrer da forma mais infeliz para o filho de Apolo. 

Thanatos, agitou a destra trazendo para aquele plano, a,  até então, mistificada , foice. Um instrumento com aste de madeira ornamentadas em alto relato, base de bronze celestial com uma lâmina curvada de uma forma que apenas seu balançar, seria capaz de decapitar dez homens com extrema facilidade. 

-Decepção.. 

E ele desceu a destra... 

-Irmão... 


E o deus parou.

-Tu queres a vida, então, tu deves dar a vida.. 

A mesma voz que fez cessar morte, repetiu esse mantra em direção a Lauren.
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Re: Morphia

Mensagem por Agatha de Bourgh em Sex 01 Abr 2016, 1:15 pm

Por nenhum segundo sequer, Lauren levantou a cabeça, fitando o chão continuamente. Após ela ter se pronunciado, um silêncio que parecia eterno se formou, e quando a semideusa pôde perceber que Thanatos iniciaria sua fala, uma gélida sensação correu por sua espinha. 

As palavras da Morte eram duras e ríspidas, as quais cessaram com a esperança de Lauren numa benevolência por parte do deus. Ela se sentia completamente inútil e fraca perante Thanatos, e sabia que o que estava por vir era iminente. 

Ainda de olhos semicerrados ao solo, ela sentiu seu ondulado cabelo esvoaçar-se numa lufada de vento que preencheu o cômodo, e com sua audição, pôde assimilar que Thanatos estava, agora, de pé frente à garota. Sua voz era magna e grave, e cantava a tristeza e pena daquela situação. Nesse momento, Lauren passou a refletir mais sobre o que se passava lá. 

Nunca imaginaria, em cinco anos como semideusa, que sua vida chegaria àquele patamar. Lauren, a " miss popularidade " do Acampamento, com o espírito de liderança inata, dons dignos de uma musa, carismática e gentil, agora estava inábil, ajoelhada, temendo a morte no mais profundo de seu âmago. A bela dama de antigamente nunca imaginaria aquela cena. 

E talvez fôsse necessário voltar a sê-la, a menina corajosa e determinada de antes. Era provável que a presença de Thanatos a fizesse sentir medo, ou também aquela era sua face covarde que nunca havia se revelado antes. A morte era iminente, mas não seria daquele jeito, cabisbaixa. Quando Thanatos proferiu sua última palavra, a filha de Apolo levantou a cabeça lentamente, vidrando seus olhos dourados nas íris do deus. 

- Se pensas tu que sou digna de pena e tristeza por amar meus queridos a ponto de suplicar por minha vida para não abandoná-los, és então, Thanatos, autor de grande equívoco. Tal coração que nunca compreendeu o amor e o cuidado, não o faria agora. 

Seus batimentos estavam agora, calmos, e transpareciam em sua voz doce e paciente. Sequer se assemelhava à menina desesperada que clamava por misericórdia minutos atrás. 

-Penoso, para mim, é aquele cujo coração é tão duro quanto o aço, e não se dobra perante as propostas de quem as dispõe

[size=34]Foi quando ela ouviu o som do metal quebrar o ar, sabendo que a foice logo lhe deceparia a cabeça. No entanto, naquele mesmo segundo, uma voz tão atemporal quanto a da Morte ecoou pelo salão, interrompendo o ato. Lauren pôde sentir a ponta da foice, fria e afiada, tocando levemente seu pescoço. Aquela mesma voz parafraseou tudo o que Thanatos havia lhe dito no começo. " Tu queres a vida, então tu deves dar a vida ", era o que dizia. Lauren abriu os olhos e a princípio não pôde ver quem era o dono da voz, viu à frente um Thanatos freado, e então pronunciou : [/size]

- Agora, mais do que antes, bem conheço essa afirmação. - E continuou em silêncio, esperando que a voz se revelasse.
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Re: Morphia

Mensagem por Andreas Passini em Sex 01 Abr 2016, 2:38 pm

Quão longe vai o desespero perante a morte?  Quão fiel nos somos a nós mesmo diante da morte, ou será que somos sempre um ator/atriz que apenas mostramos quem somos quando, de fato, estamos prestes a morrer?

Thanatos bem sabia, não era a primeira reação como aquela que o deus havia presenciado e nem seria a última e como sempre, sua expressão jazia inalterado, ao menos, aparentemente.

― Vejas, Hypnos...

― Sim, irmão. ― A melodia de sua simples palavra ecoou sem se revelar o dono. ―Teu verdadeiro eu, revelas apenas diante das faces de ti, o ceifador, quando estais para matar.

― Tola és essa criança, que pensaste que tal provocação valeria de algo, mas confessos...

Novamente o ambiente mudou. O breu se tornou mais denso como se a gravidade, leve, que o sonhar possui, triplicasse seu peso.

Thanatos estava com raiva e isso, nem mesmo Hypnos esperava.― Ora, ora.

Lauren, que demonstrava uma coragem única perante a própria morte se manteve a fitar o deus de asas negras e de soslaio, percebeu que o ser, até pouco, oculto jazia sentado no mesmo trono que estava Thanatos.

Hypnos era tão belo e angelical quando o irmão, a diferença, suas asas eram brancas como as nuvens em dia claro, seus cabelos dourados, assim como seus olhos.

― Criança. ― Falou Hypnos tomando a atenção de Lauren.― Pensas-te bem no que dizeres? Tu acusas Thanatos de desconhecer o amor, embora tu mesma desconhece o real significado de amar.

― Pareces uma prosa de Eros. ― rebateu a Morte.

― HÁ HÁ, de fato de fato, mas sejamos verdadeiros, quem de nós deuses desconhece tal maldição?  ― Ela continuava sentada com as pernas cruzadas e em sua mão, uma taça com vinho.― Humanos são engraçados, pensam que amar é demonstrar-te tal sentimento ao irmão ou companheiro, pensas que sacrificar-te ou chorar-te por tal é verdadeiramente amar, quão limitada pode ser essa visão?

― Não cabe a este deus julgar.

― HÁ, HÁ,HÁ, de fato meu irmão, de fato. ― Hypnos sorria como as pessoas sonolentas quando em sonho, veem algo engraçado.― Mas a mim cabe interceder quando julgam erroneamente as atitudes de meu irmão e claro, quando este mesmo irmão, não se digna a olhar o quadro geral dos eventos.

― Elas erraram?

― Não, deveras que não, mas "Ele", intercedeu.

― Fareis o que havíamos combinado ao princípio.

― Falas em devolver o fio de prata?

― Refiro-me, a ir ao acampamento e colher as vidas que esta deveria negociar. - Apontou para Lauren. ― Mas, tola como és, preferiu se agarrar a vida que indubitavelmente, não seria cortada.

Lauren sentiu o corpo pesar. O deus revelou em poucas palavras o que ela estava desesperada para resolver, mas não permanecendo viva e sim, se entregando a morte, o que de fato, não seria morrer e sim, pactuar com algo que estava acima até mesmo de dois deuses ou até mesmo as Parcas.

― Pena.  ― Suspirou Hypnos enquanto seu irmão se retirava do aposento.― Tu perdeste um belo acordo, mas para não dizeres que sois maldoso, dar-te-ei a pista onde poderás encontrar teu pai.

A frente do deus, imagens dançavam como água. Era, como sempre, uma manifestação etérea. Na imagem, um garoto de não mais de dezesseis anos, loiro de cabelo espichado, esperava sentado vestindo uma indumentária preta, em um salão com outros homens armados.

Suas expressões eram de desespero. Ao lado de fora, a população rugia como em um jogo de futebol e Lauren pode ver o porquê. Dois homens que ela reconheceu na hora, Yves e Zaidan estavam digladiando sobre os gritos de Balial e Agares.

O garoto loiro que cabisbaixo, aguardava sua vez. Era Apolo, transformado em um mero mortal.
―Tu tens duas escolha. ― Hypnos apontou na direção que Thanatos havia caminhado.― Segui-lo e tentares um novo pacto ou...  ― Apontou para a imagem a sua frente.― Salvar-te teu pai.

Era uma escolha dura, era talvez uma escolha injusta. Mas, humanos devem entender, deuses raramente aparecem e quando dão o ar de sua graça, o favor não sai sem custo e Lauren sentiria isso na pele.

― Darei -lhe, uma dica. Phantasos é um grande amigo de Apolo, acaso se deparar com este filho meu, ele podes interceder por teu Pai, quanto a Thanatos, ele irá fazer seu trabalho.
 
Antes de enviar a garota, ele aguardou sua resposta, terminando por falar.

― Entendeste, jovem. O sacrifício és a prova de amor mais forte que existe, és capaz de reverberar nos céus e impedir até mesmo a Morte era isso que tu deverias ter feito... ― Se queres a vida, deves dar a vida, entendeste? Ele sorriu.

― Orarei para que meu irmão leve seus companheiros aos Elísios.   ― Assim, ele aguardou a resposta.
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Re: Morphia

Mensagem por Agatha de Bourgh em Qua 06 Abr 2016, 7:12 pm

Não é qualquer um que, em determinado momento de sua finita vida, acaba por encontrar-se com dois dos maiores daemons da mitologia grega, e mais especial ainda seria aquele que estaria sendo repreendido pelos mesmos. Tal devaneio de Lauren teria feito a bela rir daquela situação, não fossem as circunstâncias que a cercavam naquele momento.

Thanatos adereçou à voz o nome do deus do sono, Hypnos. Ambos começaram a divagar acerca de verdadeiras personalidades, e Lauren apenas manteve-se em silêncio, fitando as frias orbes do deus da morte. Pôde perceber, inclusive, quando o mesmo olhar pesou sobre ela, assim como a atmosfera ao seu redor. Ela sabia que naqueles olhos havia raiva, e para um ser que disse não ser misericordioso como Jesus Cristo, mas permitir-se à ira, apenas tornou-o mais intrigante aos pensamentos da filha de Apolo, que poderia ficar conectando seus olhos aos dele por horas e horas, até descobrir todas as suas facetas.

No entanto, os pensamentos da bela foram desviados pela voz calma de Hypnos, a quem Lauren pôde ver assentado, num movimento que as asas de Thanatos fizeram, revelando o deus dourado atrás de si, no trono em que seu irmão estava anteriormente. Hypnos dirigiu-se à morena numa pergunta mais reflexiva do que objetiva, e logo em seguida voltou a divagar com Thanatos sobre o amor, e em seguida sobre alguns assuntos que Lauren ainda não conhecia, como o fato de alguém haver intercedido. Por quem? Por ela? Se sim, por quê? Quem era "Ele"? Todas essas eram perguntas que dançavam na mente dela, mas novamente ficou em silêncio, esperando os dois deuses terminarem sua conversa.

Foi quando Thanatos mencionou que sua vida não lhe seria realmente tirada de início, o que entristeceu e indignou a filha de Apolo, que voltou a levantar a cabeça para a Morte. Quão mais fácil seria se ela soubesse disso desde o início! Ela havia aceitado seu destino ao levantar a voz contra Thanatos, quando este lhe levantou a foice, como eles ainda falavam em "perder o acordo"?

Lauren levantou-se e estava pronta para pedir as respostas aos deuses, quando Hypnos calou-a mencionando seu pai. Ela imediatamente tirou o olhar de Thanatos e o direcionou ao deus do sono, que sonolento, fez formar no ar imagens que dançavam como água. As imagens logo se focaram, revelando um menino franzino de expressão triste, vestido como se fosse lutar no Coliseu.

A donzela recusou-se, a princípio, a acreditar que aquele era Apolo, seu pomposo e alegre pai. Ela ignorou Thanatos à sua frente e caminhou até Hypnos, levando a mão trêmula até a imagem do menino, que se dissipou como água. "Pai...'', ela sussurrou. Seu amado pai, incapacitado e humano. Não teve tempo para falar nada, logo a imagem mudou para mostrar seu irmão Yves, e o filho de Zeus Zaidan lutando um contra o outro num cenário grotesco, mudando a expressão de Lauren para confusão e surpresa.

- O que essas duas mandrágoras fazem... ? - Ela perguntou, semicerrando os olhos para tentar entender o que acontecia.

E então, Hypnos a ofereceu um caminho: pactuar com Thanatos ou salvar Apolo.

Lauren muito pensou naquela oferta que qualquer um consideraria difícil. Ela, como humana, pouco conseguiria fazer para salvar seu pai, mas Phantasus ainda havia feito com ela uma aliança. De outro lado, Thanatos a oferecia uma chance de ganhar poderes que ela nunca imaginaria um dia conseguir. Com aqueles poderes, ela poderia salvar seu pai e muito mais, pensava. De repente, uma risada sádica e mórbida ecoou em sua mente, levando-a a uma memória de um passado pouco distante:

"Você matou Fantine!! Você envenenou seu ventre!!
Cria do Sol, tu és maldita!!"


Ela quase caiu ao chão com aquele timbre. Nunca chegou a ver sua mãe, que diziam ser a flor mais bela da França. Fantine morreu ao dar a luz à Lauren, que cresceu sem ter o abraço materno para afagá-la. E jamais, jamais poderia viver com a possibilidade de uma escolha sua ter matado também o seu pai, por quem nutria enorme apreço. Nenhuma oferta de força divina lhe mudaria isso.

Então, ela olhou para  onde Thanatos havia ido, e voltou seu olhar ao irmão dourado:

- Meus dezoito anos nada se comparam a seus milênios de vida, mas já possuo maturidade o suficiente para reconhecer meus erros. Diga a Thanatos que peço perdão por tê-lo importunado e irritado, queria que houvéssemos nos conhecido não em circunstâncias tão avessas. A decisão que eu faço agora pode ser o maior erro que já cometi, mas estou decidida a fazê-la, e pronta para aguentar as consequências do futuro que pincelo.


Com um sorriso gentil, ela virou-se, pegando sua cimitarra dourada do chão e embainhando-a novamente.

- Lorde Hypnos, agradeço por sua gentileza. Eu vou buscar Apolo e entender o que meus companheiros fazem. Espero encontrar seu filho e meu aliado. - E em seguida, sentiu uma pontada em seu abdômen, o que a fez sorrir desconcertadamente para o deus do sono, como uma mera criança. - Antes, eu preciso encontrar alguma Ambrósia. - Ela riu.
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Re: Morphia

Mensagem por Andreas Passini em Qui 14 Abr 2016, 12:22 am

- Se desejas o perdão de Thanatos, tu mesma deves ir súplica-Lo. - Hypnos, diferente de antes, ficou sério. - Sois o deus do Sono e não Hermes que se digna a enviar mensagens. 

Lauren tremeu  e por segundos, pensou que perderia até mesmo aquela ajuda, que viera de Hypnos. 

Mas,  por sorte, aquilo fora uma bronca. Hypnos, diferente de seus filhos, não exige que fale com ele de forma coloquial ou até mesmo de forma bajuladora, contudo, exige-se, no mínimo uma forme respeitosa de se tratar um deus.  

-Tu não precissaste de alimento. - E Lauren não precisou. Sua fome passou e suas feridas cicateizaram. - Tu necessitas de entendimento das terras que irá desbravar

O deus se levantou. Como Thanatos, a imponência de Hypnos, embora, mais calma era sombria o suficiente para sufocar uma alma confusa. Hypnos, demonstrando uma face sonolenta e preguiçosa, fitou Lauren  cara cara. 

-Zandrak és conhecida como cidade preparatória para adentrar aos sete círculos infernais. Meu filho, usas-te daquele antro para criar soldados de corações frios e se tu desejas adentrar naquelas terras, deveras se preparar para seres um demônio e isso, se faz sozinha. 

O portal de abriu. Lauren estava diante do lugar que a  levaria para próxima de seu pai. 

-Atue, finjas seres uma Gladiadora, finjas seres uma Succubo sem asas, mas sejas uma igual aos demônio que lá vivem. - Ele balançou a mão, se afastando da jovem - Agora vá e prove que este deus escolhera a pessoa certa. 
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Re: Morphia

Mensagem por Agatha de Bourgh em Sex 15 Abr 2016, 1:17 pm

Lauren sentiu seus olhos e suas sobrancelhas se semicerrarem com a resposta de Hypnos, que repentinamente tomou um semblante sério para si. "Deuses e suas facetas...", ela sempre concluía. Mas, ao invés de responder, dignou-se apenas a curvar-se de forma rápida ao deus, demonstrando um pedido de desculpas. Sua cota diária para repreensões já chegava perto do limite especial, e ela não se atreveria a entortar novamente suas relações com os deuses.

No mesmo momento, o deus do sono, com suas sonolentas palavras, regenerou toda a energia de que a filha de Apolo necessitava. Toda a dor havia se extinguido, as feridas cicatrizadas, fazendo a morena sentir como se não houvesse sequer lutado naquele Acampamento. A sensação era ótima, e a confiança em sua capacidade havia retornado; ela não possuía seus poderes como antes, mas cinco anos no Acampamento Meio-Sangue certamente lhe serviriam de algo naquele momento.

Sem dar espaço a uma resposta por parte de Lauren, Hypnos levantou-se de seu trono e fitou a garota profundamente, fazendo as quatro orbes douradas se encontrarem. Embora sua feição fosse de alguém que não dormia há semanas, era impossível não reconhecer a imponência daquele daemon.
Hypnos passou a explicar tudo o que Lauren necessitava quanto ao conhecimento sobre onde ela iria. Zandrak era o nome daquele lugar, o Coliseu cheio de criaturas grotescas, cujo seio abrigava quem ela deveria ir buscar. 
No entanto, a filha de Apolo surpreendeu-se com o último conselho de Hypnos, sobre ter de se portar como uma Succubus. Se comportar como um demônio, trajar suas roupas - ou melhor, a falta de roupas - e se assemelhar a elas; não seria uma tarefa moralmente fácil de realizar, mas se o deus do sono a aconselhou a tal, não era boa pedida ir na contramão.

Lauren analisou o portal à sua frente, que a levaria até Zandrak. Segurou sua cimitarra em mãos e olhou novamente para Hypnos, seus olhos áureos inflados em determinação.

 - Novamente te agradeço pela ajuda, senhor Hypnos. - Ela curvou-se, dessa vez mais profundamente, reverenciando o deus à sua frente. - E sim, provarei que esta mulher à sua frente é digna de vossa escolha, milorde. No mais, se não se importares, parto para cumprir as tarefas que meu senhor tem me designado, que tão perfeitamente cabe a mim fazer por apreço a meu pai. Com vossa licença. - E assim, a bela apertou seu passo em direção ao portal.
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Agatha de Bourgh

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